Há cada dois anos, é realizado o Congresso da União Nacional dos Estudantes (CONUNE). Este ano, o 52º CONUNE ocorrerá entre os dias 13 e 17 de julho.
O CONUNE tem por característica ser a instância máxima de deliberação da entidade nacional dos estudantes. É nesse congresso que os estudantes a nível nacional vão debater e aprovar resoluções políticas que vão orientar a próxima gestão, que também é eleita no evento.
Você, estudante, deve estar se perguntando como esta entidade está presente no seu cotidiano, ou talvez nem saiba que ela exista, uma vez que esta não se faz presente na luta contra os problemas que assolam a UFU.
Com o atual processo de reestruturação do ensino superior e a expansão universitária sem financiamento adequado, observamos problemas no dia-a-dia como aumento das filas do R.U, superlotação das bibliotecas e deficiência na quantidade de acervo para todos, superlotação ou falta de salas de aula e laboratórios, mudanças drásticas nos projetos pedagógicos de curso e das normas de graduação, acesso restrito aos recursos de assistência estudantil e estágios que exploram os estudantes como verdadeiros trabalhadores terceirizados e sem direitos. Mas enfim, o que a UNE e/ou o CONUNE tem a ver com isso?
Cada vez mais a UNE se mostra desgastada. Esta entidade, que foi durante décadas uma referência das lutas estudantis, hoje é vista pelos estudantes como algo totalmente distante de seu cotidiano e, não raramente, é alvo de repúdio de boa parte daqueles que se revoltam com as medidas que esta entidade vem defendendo nos últimos anos.
As análises contidas neste documento foram elaboradas por jovens que atuam cotidianamente no movimento estudantil. Estamos nos Conselhos Universitários, nos Diretórios e Centros Acadêmicos, nos congressos, nas salas de aula, nas mobilizações, etc.
Não somos um grupo que dá as caras apenas em época de eleição. Mesmo porque, entendemos que, apesar da importância das entidades, o movimento estudantil não se resume a estas disputas. Superar este falso dilema é o desafio deste processo de eleição aqui na UFU. E o desafio do estudante crítico da UFU é saber identificar qual tese não está preocupada apenas com disputa de cargos.
O CONUNE traz as marcas da despolitização e aparelhamento. Há anos a UJS, juventude do PC do B, joga com a apatia do movimento estudantil, principalmente nas Universidades particulares (onde há mais dificuldade de organização e participação no movimento estudantil), para hegemonizar o congresso e utilizar a UNE em função dos interesses do governo.
Participaremos deste congresso, não porque acreditamos que, no contexto atual, alteraremos a correlação de força desta entidade, mas porque a UNE não é uma massa homogênea. Milhares de estudantes e diversos grupos políticos que participam da UNE estão interessados em enfrentar a crise do movimento estudantil e os projetos desastrosos de reforma do ensino superior que estão sendo apresentados pelo governo do PT. Acreditamos que, com estes estudantes, podemos construir importantes lutas e, por via deles, atingir dezenas de instituições de ensino, independente de estarem ou não na UNE. O movimento pela educação não pode parar.
Diferenciamos-nos radicalmente da tese concorrente “Agora só falta você” (escrita pela UJS-PCdoB e Kizomba-PT) na prática e nos posicionamentos. Ao longo da formação de nosso grupo procuramos entender profundamente a situação do movimento estudantil atual, em um debate aberto, claro e horizontal, para que os delegados que irão nos representar neste congresso não sejam enganados e seduzidos a participar de algo que não compreendem. Nossas análises não chegaram pelo Correio e nem somos financiados por dinheiro que não se sabe de onde vem. Prezamos pela autonomia!
Os nossos posicionamentos são por uma universidade radicalmente distinta da atual. Os projetos que vem modificando a Universidade ao longo do governo do PT, no nosso entendimento, aprofundam a lógica que combatemos: a mercantilização/instrumentalização do conhecimento. O movimento estudantil não pode ser um eco do governo federal, como a UNE tem sido nos últimos anos.
Todas essas dificuldades só podem ser enfrentadas criticamente. Porém a critica deve ser praticada de forma conseqüente. Temos a perspectiva de participar desse congresso porque sabemos que nele encontraremos estudantes dispostos a enfrentar a crise atual do movimento estudantil e com os quais nos identificamos em diversas lutas.
Devemos também enfrentar uma realidade romantizada e idealizada, como se o “novo” Movimento Estudantil estivesse “pronto para nascer”, esperando apenas a criação espontânea de uma alternativa aos problemas da realidade educacional na UFU e no Brasil, quando a realidade é bem diferente disso. Acreditamos que a reorganização do ME depende da construção coletiva de sínteses de análises e reflexões, superando a falsa dicotomia entre teoria e prática, e possibilitando a construção de experiências unitárias. É necessário, sobretudo, que estes acúmulos aconteçam no cotidiano dos estudantes.
Faça sua opção pela autonomia e por um movimento com foco nas pautas do nosso cotidiano, para além da disputa de cargos, de oportunismos e construções pessoais.
Venha construir com a gente um movimento estudantil para além das entidades!
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